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Tribuna Federativa n°1 de 2008 - Fevereiro
Caros companheiros e amigos naturistas
Escrevo, porventura, a última "Tribuna Federativa" na FPN. Na vida colectiva, como em geral, na
vida de cada um de nós, individualmente considerados, há momentos para uma maior entrega e
uma maior "paixão", momentos para reflectir e amadurecer ideias e momentos para tomar
decisões.
Depois de anos consecutivos, quer na Direcção do Clube Naturista do Centro, quer na da
Federação Portuguesa de Naturismo, dando o melhor que soube e pude, entendo que é chegada
a hora de ceder o meu lugar.
Tal como na Natureza, é necessário que a vida das instituições se renove e, sobretudo,
rejuvenesça dando, à continuidade necessária, uma nova oportunidade de "entusismo"
indispensável ao seu futuro.
Foi um enorme dasafio quando aceitei, com outros companheiros, a tarefa de dinamizar o
Naturismo em Portugal. Recordo o entusiasmo dos primeiros anos do CNC que, lado a lado, como
sempre, com a FPN, iniciamos um caminho que, das duas ou três dezenas de membros, alcançou
em menos de 10 anos mais de cinco centenas.
Recordo o início com o Pedro Mota, a Cristina e o Jorge Veigas, mais tarde com a Fátima e o José
Alves, agora nova e felizmente no "activo", o Paulo Mallen, o Paulo Monteiro, o Rui Monteirinho, o
José Sousa, a Raquel Garcia, o Luis Eleutério, o Eugénio, etc.
Com o passar dos anos, com o dinamismo e a renovação alcançados, foi visível a alteração
substancial da "oferta" naturista em Portugal – na altura, apenas um camping e três praias
oficiais – agora com mais 2 campings, totalmente naturistas e 2 pequenos resorts, um horário
numa piscina municipal e num SpA, mais 2 clubes e ainda mais duas praias oficiais e outras em
preparação, entre dezenas de toleradas que ajudámos a divulgar, com a presença, pela 1.a vez
na Web de forma oficial e diversificada, a presença numa grande feira na FIL, em Lisboa, e uma
participação assídua em muitos eventos internacionais no âmbito da INF, projectaram,
definitivamente, o Naturismo no nosso país e no mundo.
Finalmente, e não menos significativa, a posse de uma sede, aspiração perseguida durante
algumas décadas, abrindo outra face visível ao Naturismo que, igualmente, ao nível da imprensa
escrita, TV, rádio e internet, tem logrado ter um incremento assinalável.
Quero agradecer, aliás, a todos quantos aceitaram "dar a cara" pela nossa causa, pelo nosso
Movimento. Saliento em particular os nomes do Àlvaro Campos, presidente do CNA, do Alexandre
Moleiro e do Pedro Miguel Cardoso da FPN/JPN, entre vários outros, que se dispuseram a
contribuir com o seu testemunho, para "humanizar" a visibilidade do movimento.
Muitos companheiros, e tantos foram os que – perdoem-me as omissões involuntárias – me
acompanharam num percurso que transformou a face pública do Movimento Naturista em
Portugal. A todos, com responsabilidades ou sem elas, que se cruzaram comigo, eu recordo.
Quero, por isso, assinalar, para além dos já referidos, a colaboração recebida, em escalas e
períodos diferentes, de dezenas de companheiros como o Fernando Rui Martins, a Célia e o João
Gomes, a Ana e o João Galvão, a Paula Cristina e o Nuno Frade, o Avelino Garrido e a Alda, o
Branco Alves, o David Rodrigues, o Eduardo Pinto, o José Godinho, o António Pinheiro, o José
Reis, a Liliana, o Octávio, a Gisela, o Rui Matos e o Mário Neves da ANP, a Sofia e o Miguel Boieiro
da SPN, o Helmut Walter, a Miriam e o Amilcar e de tantos, tantos outros, "unidos numa ponte
humana" por um estilo de vida mal compreendido e mesmo, às vezes, desconsiderado.
Quero deixar, também, uma palavra de agradecimento pela parceria e cooperação recebida dos
proprietários dos campings e "pousadas" naturistas em Portugal e, também, dos espanhóis do El
Portus, Almanat e Sierra Natura. Quero agradecer, igualmente, àqueles que foram dando vida às
iniciativas que fomos tomando, participando nelas de forma entusiástica, mobilizando-se e
cooperando no seu êxito. Neste particular, e nos últimos dois anos, quero destacar o
empenhamento do Pedro Barata, companheiro sempre disponível nas horas boas e menos boas
que todos vivemos em conjunto, do Alexandre Moleiro, que assegurou, diariamente, à FPN e à
JPN, a sua digna presença na internet, prestando um inestimável contributo para a divulgação
naturista, sem esquecer os meus, perdoem-me a expressão, "inseparáveis" Pedro Mota na
tesouraria da FPN e na Direcção do CNC e de Pedro Geraldes Cardoso na acessoria jurídica e,
finalmente, em especial, a quem que me apoiou 24 horas, 365 dias por ano - a minha
companheira Maria José que, sem o seu apoio, e o dos nossos dois filhos, tudo teria sido
diferente.
Neste momento de projectado afastamento do "naturismo activo", quero salientar a importância
do trabalho voluntário, às vezes anónimo e sempre desinteressado, de todos aqueles que, nos
clubes e associações naturistas, nos fóruns, nos blogues (uma referência particular para o João
Curto e o seu "Ser Naturista") e junto dos seus amigos, familiares e colegas, vão dando a cara
pela Filosofia e Estilo de Vida que nos animam. O seu testumunho é uma garantia do seu futuro,
pois só um envolvimento social alargado poderá consolidar uma prática de raíz familiar, destinada
a promover a dignidade do género humano em condições de mútuo respeito e elevação psico
social e cultural.
A ecologia, a preservação da Natureza e a defesa de um meio ambiente sustentável, assumem
hoje uma particular importância no seio do Movimento Naturista. A adaptação estatutária na FPN,
recentemente aprovada, orientar-nos-á para um maior empenho, também, nessa área.
Estou convicto que ela será uma vertente importante na captação de novos aderentes para o
Naturismo, especialmente nas camadas mais jovens, mais sensibilizadas para essas tarefas que
constituem um desafio à qualidade do seu próprio futuro. Aproveito para assinalar a notável
perfomance da equipa da JPN, sucessora condigna da Jovnat, o núcleo jovem a que ajudei a dar
corpo e do qual espero, apesar das dificuldades, que continue a honrar a tradição de vivência
naturista baseada na convivialidade, amizade e respeito pelo género humano e pela Natureza.
As condições existentes hoje, permitem uma maior afirmação do Movimento Naturista. A
dinâmica associativa gerada, com os novos clubes e a consolidação dos existentes que, com a sua
capacidade de organização e mobilização, vão conseguindo motivar os naturistas mais
interessados e disponíveis para uma participação mais activa e social no Naturismo, coadjuvada
com a possibilidade da "adesão directa" à FPN – agora consignada nos Estatutos - de todos os
naturistas que, não querendo ser tão participativos na vida associativa, querem, ainda assim,
"engrossar" o Movimento, e de alguma forma ajudar ao financiamento da divulgação naturista e
das acções que a FPN pode e deve promover no sentido de alargar e melhorar as condições para
a prática do Naturismo em Portugal, à semelhança do que hoje se pratica nos países com tradição
naturista mais forte e desenvolvida.
Outro aspecto que, certamente, deverá continuar nas preocupações dos responsáveis naturistas
será a preservação de um ambiente são, respeitador e convivial no movimento, combatendo
qualquer "desvio" que possa aflorar no nosso seio, condição indispensável para o seu
crescimento, sustentado no respeito pelos valores que inspiram a nossa Filosofia e a nossa ética.
A tolerância que nos é tradicional, jamais pode ser entendida como licenciosa. é necessário
aclarar que os naturistas seguem regras de inspiração humanista e convivem com uma postura
natural, em que a nudez colectiva é o espelho do respeito pela nossa natureza e uma fonte de
bem estar, promotora de auto-estima, da dignidade de todo o nosso corpo e da igualdade entre
géneros.
Respeitamos as orientações individuais de carácter sexual, político, religioso etc, mas rejeitamos
qualquer tentativa de aproveitamento e, particularmente, quaisquer "desvios" voyeuristas e
exibicionistas e, nomeadamente, qualquer manifestação que se destine a promover uma
orientação sexual pré-determinada. Desenganem-se aqueles que possam interpretar a nossa
nudez como indecorosa, permissiva ou lasciva. Sabemos bem o que queremos, onde nos
sentimos bem e por onde queremos ir. Não vale a pena tentarem levar-nos por onde não
queremos e não nos identificamos. Qualquer tentativa estaria, aliás, votada ao fracasso, já que a
maioria dos nudo-naturistas ama viver a vida com mais naturalidade do que aquela que se
convive no meio "têxtil".
Estou convicto que foram os valores culturais e morais dos fundadores do Naturismo que o
levaram à expansão e à expressão que hoje detém em tantos países do Mundo, onde várias
gerações o praticam de forma familiar, continuada e feliz.
Que melhor imagem poderemos ter do Naturismo do que aquela que podemos encontrar nos
centros naturistas por essa Europa fora (e não só), onde convivem, natural e alegremente,
diferentes gerações dos "0 aos 80" anos, para usar uma expressão vulgar?
Quero acreditar que essa imagem do ontem e do hoje do Naturismo, será, ainda, a imagem do
futuro, apesar dos sobressaltos e desacertos que a "história" às vezes nos traz.
A todos os meus amigos, a todos os meus companheiros nesta viagem apaixonante que vivi, dia
a dia, a par e passo, com sucessos e desaires, incertezas e expectativas, a todos os nudonaturistas
em geral, deixo uma palavra de apreço, de motivação e de incentivo à continuidade do
trabalho em prol do Naturismo.
Cordialmente,
Laurindo Correia
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